Em meio a resultados financeiros adversos e debates sobre recuperação, acreditamos que há saída para o problema, que passa pela modernização e eficiência, mantendo-a como braço essencial do Estado no atendimento à população.
Os Correios atravessam um dos momentos mais delicados de sua história centenária. Dados recentes apontam para um cenário financeiro desafiador, com um prejuízo acumulado de R$ 4,36 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025. Diante deste quadro, a ADCAP reforça seu posicionamento, em consonância com as demais entidades representativas dos empregados. A saída para a crise não está no desmonte ou na privatização, mas sim na retomada da eficiência gerencial e na garantia do papel social da estatal como integradora do território nacional.
A montanha-russa financeira
A análise dos balanços financeiros dos últimos 20 anos revela a volatilidade da gestão da estatal. Conforme os gráficos abaixo, a empresa saiu de um cenário de lucro robusto entre 2020 e 2021 (R$ 1,53 bi e R$ 2,2 bi, respectivamente), impulsionados pelo boom do e-commerce na pandemia, para um mergulho abrupto nos últimos dois anos. O contraste é severo: enquanto o setor privado de logística avançava com agressividade tecnológica, a estatal perdeu market share. O resultado de 2024 já indicava o alerta vermelho com um prejuízo superior a R$ 2,5 bilhões, agravando-se drasticamente na parcial de 2025.
É importante dizer que o número de anos em que os Correios obtiveram LUCRO é consideravelmente maior do que os anos de prejuízo. Se observarmos a série histórica completa apresentada nas imagens (cerca de 25 anos), a empresa foi superavitária na grande maioria do tempo. Se observarmos a série histórica completa apresentada nas imagens (cerca de 25 anos), a empresa foi superavitária (deu lucro) na grande maioria do tempo.


Considerando os gráficos, veja como foi a contabilidade da empresa, nos últimos 25 anos:
- Períodos de lucro📈
Os Correios tiveram uma longa sequência de estabilidade e crescimento, além de uma recuperação recente pós-2016.
- Sequência histórica: de 2000 a 2012 (13 anos consecutivos de lucro).
- Recuperação: de 2017 a 2021 (5 anos consecutivos de lucro).
- Total de anos com lucro: 18 anos.
- Períodos de prejuízo📉
Os prejuízos não são a regra histórica, mas sim exceções concentradas em dois momentos específicos de crise econômica ou gestão.
- Primeira crise: de 2013 a 2016 (4 anos).
- Segunda crise (atual): de 2022 a 2025 (considerando a projeção de 2025 como negativa, são 4 anos).
- Total de anos com prejuízo: 8 anos.
“Morte assistida” e crise de gestão
A atual proposta de recuperação, que envolve um aporte de R$ 20 bilhões via empréstimos com aval do Tesouro, divide opiniões. Em entrevista recente, o ex-presidente da estatal, Guilherme Campos, classificou o plano atual como uma “morte assistida”. Para ele, focar apenas em corte de custos e endividamento, sem uma estratégia clara de aumento de receitas, é administrar o fechamento da empresa a longo prazo. Campos aponta um erro estratégico nas últimas gestões (tanto no governo Bolsonaro quanto no governo Lula): a nomeação de lideranças sem experiência técnica em logística e varejo. A falta de continuidade em projetos de inovação e a incapacidade de adaptar a empresa à “nova realidade” do mercado de encomendas deixaram os Correios vulneráveis frente à concorrência privada ágil.
Unidade na defesa do serviço público
Apesar do cenário adverso, a ADCAP mantém uma postura firme: os Correios são insubstituíveis como braço do governo para políticas públicas e atendimento ao cidadão, especialmente nos rincões onde a iniciativa privada não tem interesse comercial em atuar.
Neste ponto, a Associação defende:
- rejeição à privatização: a venda da estatal não resolve o problema estrutural e prejudica a soberania logística nacional. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já descartou a privatização, prometendo um plano consistente, o que traz um alento, mas exige vigilância.
- Modernização sem desmonte: a recuperação financeira não deve ser feita apenas às custas dos trabalhadores ou da qualidade do serviço. É necessário transformar os Correios em uma plataforma moderna de logística e serviços (seguindo exemplos de sucesso como o correio alemão e japonês), e não apenas uma empresa de entrega de cartas.No Japão, como há uma população idosa e muitas áreas rurais, o correio é, muitas vezes, o único banco disponível. O lucro gerado pelas operações bancárias e de seguros (Japan Post Bank e Japan Post Insurance) ajuda a subsidiar a operação logística de entrega de cartas, que é deficitária em áreas remotas.Já o “segredo” alemão foi a internacionalização agressiva e a integração com a iniciativa privada, transformando o correio nacional em uma multinacional de logística.
- Gestão profissional: a recuperação passa, obrigatoriamente, pela blindagem da empresa contra o uso político e pela implementação de uma gestão técnica capaz de competir no mercado digital.
O futuro
O desafio é monumental. O governo federal reconhece a situação “muito ruim” e a pressão fiscal para 2026. No entanto, para a ADCAP e para os trabalhadores, os números vermelhos nos gráficos não decretam o fim, mas sim a urgência de uma reestruturação inteligente. A defesa é clara: os Correios devem continuar sendo públicos, estatais e de qualidade. O caminho para o “azul” nos gráficos passa por inovação, valorização do corpo técnico da casa e diversificação de receitas, garantindo que a empresa continue chegando a todos os lares brasileiros.
JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! 💚🤜
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