ADCAP responde Valor Econômico sobre situação dos Correios

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A grave crise financeira e operacional dos Correios, marcada por prejuízos bilionários e um polêmico plano de resgate, acendeu um intenso debate público. Em destaque, a ADCAP contestou veementemente um recente editorial do jornal Valor Econômico, que classificava a estatal como um “saco sem fundos” e defendia que “não há caminho de volta para o atraso” da empresa.

 

O editorial do Valor, publicado em 17/10, pintou um cenário desolador, apontando o “parasitismo das indicações políticas” como a causa central da derrocada. O jornal criticou o “aparelhamento” que impediu a empresa de acompanhar a revolução logística promovida por gigantes como Amazon e Mercado Livre, resultando em perdas crescentes. No primeiro semestre de 2025, o rombo nas contas da estatal atingiu R$ 4,35 bilhões, quase o triplo do mesmo período de 2024. O texto questionou a viabilidade do empréstimo de R$ 20 bilhões com garantia do Tesouro, sugerindo que a função social da empresa poderia ser mantida por outros meios.

 

Em resposta direta, a ADCAP, embora concordando com o diagnóstico de que a raiz do problema é a “falta de gestão profissional”, rechaçou a ideia de que a empresa seja irrecuperável. A Associação argumenta que o patrimônio dos Correios supera em muito o valor do empréstimo necessário, citando que apenas os ativos imobiliários da estatal são avaliados em mais de R$ 45 bilhões, além de ativos intangíveis valiosos como a marca SEDEX.

 

Para a ADCAP, a cifra de R$ 20 bilhões não representa um “saco sem fundo”, mas um investimento necessário para equacionar o fluxo de caixa. A Associação defende que uma direção técnica e profissional, blindada de interferências políticas, tem plenas condições de alavancar esses ativos e explorar o mercado de logística do comércio eletrônico, que está em franca expansão no Brasil.

 

A nova gestão da estatal, agora sob o comando de Emmanoel Rondon, admite essa “falta de adaptação ágil”. A situação foi agravada, segundo a Fentect, por decisões políticas passadas, como a “taxação das blusinhas”, que reduziu a receita com encomendas internacionais. Além disso, a empresa arca com o custo bilionário do serviço postal universal, que a obriga a manter operações deficitárias em rincões isolados do país. Como proposta para resolver o problema, foi apresentado recentemente um plano de reestruturação que inclui um Programa de Demissão Voluntária (PDV), venda de imóveis e renegociação de contratos, que garantiria o pagamento do empréstimo de R$ 20 bilhões.

 

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