A máxima de que “a união faz a força” deixou de ser apenas um ditado popular para se tornar a principal estratégia de sobrevivência do funcionalismo público e dos empregados de estatais. Diante de um Congresso Nacional cada vez mais refratário a aumentos de despesas e de governos focados em ajustes fiscais, sindicatos e associações de classe estão redesenhando sua atuação através da intercooperação.
O isolamento institucional, antes comum devido a disputas por representatividade, deu lugar a um pragmatismo necessário: a criação de “frentes amplas” de defesa. O objetivo é blindar carreiras, fundos de pensão e empresas públicas de ataques que, sozinhos, nenhuma das entidades conseguiria barrar.
Associação + sindicato: o movimento de pinça
Especialistas em relações governamentais apontam que a parceria entre sindicatos e associações classistas cria um “movimento de pinça” eficaz. Enquanto o sindicato entra com a força da base, a ameaça de greve e a negociação salarial na mesa (ACT), a associação complementa essa luta com inteligência técnica.
“O sindicato faz o barulho necessário na porta da empresa, mas é a associação que, muitas vezes, financia o parecer jurídico de um grande jurista ou contrata a consultoria atuarial para contestar um déficit no fundo de pensão. Quando os dois andam juntos, o gestor público enfrenta pressão política e constrangimento técnico simultaneamente”, analisa um consultor legislativo da Câmara dos Deputados.
No caso dos Correios e de outras estatais, essa simbiose tem sido vital. Enquanto federações sindicais negociam a manutenção de cláusulas sociais, entidades como a ADCAP fornecem subsídios técnicos para impedir privatizações ou mudanças regulatórias nocivas, atuando onde o sindicato muitas vezes não tem trânsito: nos gabinetes técnicos e tribunais superiores.
Associação + associação: a força da escala
Outro fenômeno recente é a união entre associações de diferentes carreiras (interassociativismo). Entidades que representam gestores governamentais, auditores fiscais, delegados e empregados de estatais têm se reunido em Institutos e Frentes Parlamentares.
Essa união horizontal traz duas vantagens competitivas:
- redução de custos: ao negociarem em bloco, associações conseguem planos de saúde e seguros de vida com valores muito mais baixos para seus sócios, devido ao volume de vidas envolvidas.
- Agenda comum no Congresso: quando uma associação isolada pede uma audiência com o presidente da Câmara, pode ser ignorada. Quando um bloco representando 200 mil servidores de elite pede, a porta se abre.
A defesa dos fundos de pensão
O maior exemplo prático dessa união é a defesa dos fundos de pensão (como Postalis, Previ e Funcef). Associações de diferentes estatais têm trocado experiências jurídicas e atuariais para combater normas da Previc ou decisões judiciais que prejudicam os participantes.
Nesse novo ecossistema de defesa, a competição por filiados perde sentido diante do risco compartilhado. A conclusão é que, no complexo xadrez de Brasília, quem joga sozinho é “engolido” pela máquina, enquanto quem atua em rede garante a preservação de direitos e o futuro da instituição.
JUNTOS SOMOS MAIS FORTES! 💚🤜
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