Na semana em que saíram matérias na mídia nacional sobre uma possível suspensão do processo de privatização dos Correios no Senado, o governo federal voltou a distribuir fake news, para canais próprios e veículos de comunicação em geral, para que uma versão contrária do assunto fosse aceita como verdade. Vamos lembrar que a paralização do processo já vem sendo apontada há algumas semanas pelo próprio presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o senador Otto Alencar (PSD-BA).
Para contextualizar: o PL 591/2021 é o projeto de lei que trata de privatização dos Correios. A CAE é órgão do Senado onde foi iniciada a tramitação do PL 591/2021 nessa Casa Legislativa, após aprovação na Câmara dos Deputados. Ao entrar no Senado, necessariamente ele teria que ser apreciado na CAE, antes de seguir para outras Comissões e para o Plenário, mas acabou ficando por ali. A ausência de informações consistentes que pudessem justificar a privatização dos Correios levou os senadores da CAE a interromper a tramitação do PL no órgão. Uma das observações feita pelo senador Otto Alencar foi justamente a de que não havia dados suficientes para a continuação do processo.
Essa derrota fez com que o governo federal tentasse um novo movimento nos últimos dias. O secretário de desestatização, ligado ao Ministério da Economia, começou a afirmar que a venda dos Correios elevaria a arrecadação da empresa para o patamar de R$ 4 bilhões. Isso depois de a estatal divulgar lucro recorde relativo a 2021 – R$ 3,7 bilhões. A ADCAP Nacional, por sua vez, lembrou que essa arrecadação pode ser garantida por meio do aumento de tarifas. Em todas as privatizações recentes, isso foi observado. A contrapartida pelo fato de o Estado deixar de possuir certas empresas públicas foi exatamente o custo maior pelos serviços prestados.
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