A ADCAP enviou uma carta ao Postalis manifestando “profunda preocupação” após a divulgação de um déficit técnico de R$ 662,75 milhões no Plano de Benefício Definido (PBD), referente a julho de 2025. Veja o texto do documento clicando aqui. O resultado acende um alerta para o risco de um novo plano de equacionamento, que imporia mais sacrifícios aos participantes.
No informativo “Postalis em Números” de julho, o fundo de pensão reportou que o patrimônio de cobertura do plano era de R$ 11,3 bilhões, enquanto a provisão matemática (o valor necessário para cobrir todos os compromissos futuros) atingiu R$ 12,0 bilhões. A diferença negativa representa uma insuficiência de recursos para o cumprimento integral dos compromissos. Na carta, a ADCAP lembra que, caso o déficit ultrapasse os limites legais ao final do exercício de 2025, a legislação (Resolução CNPC nº 30/2018) obriga a elaboração de um novo plano de equacionamento, que deveria ser aprovado até o final de 2026.
Sacrifícios anteriores e contradição nos dados
A apreensão dos associados se justifica pelo pesado ônus que já carregam. Um plano de equacionamento anterior, implementado em 2023/2024, já impôs medidas severas aos participantes do PBD. Entre os sacrifícios vigentes estão uma contribuição extra mensal de 23,21% sobre os benefícios (para aposentados) ou BPS (para ativos), uma cobrança adicional de 75% sobre o 13º benefício, a redução do valor da pensão por morte para 50% e a extinção do pecúlio por morte.
A ADCAP, no entanto, “estranha os números apresentados” em julho. A associação aponta uma aparente contradição com um boletim mais recente, de 24 de setembro, que trazia os resultados de agosto. Naquela publicação, o próprio Postalis destacou um desempenho positivo do PBD, com rentabilidade de 0,78% (acima da média de mercado de 0,51%) e citou uma “tendência de recuperação”.
Atrasos dos Correios e instabilidade na gestão
Dois fatores externos agravam a preocupação da ADCAP com a saúde financeira do plano: a situação dos Correios e a gestão do próprio Postalis. A associação critica os “recorrentes atrasos nos repasses das contribuições mensais dos Correios ao Postalis”, estimados em cerca de R$ 70 milhões por mês. Segundo a ADCAP, as competências de agosto e setembro ainda estavam pendentes. Embora os valores sejam pagos posteriormente com juros e correção, a prática “pode impactar negativamente o resultado do Plano”. A ADCAP espera que a nova direção dos Correios regularize as pendências ainda em 2025.
Outro ponto de instabilidade foi a destituição de diretores do Postalis em 16 de outubro de 2025, por decisão do Governo Federal. A ADCAP cobra que os novos dirigentes “devem possuir perfil técnico e atuar exclusivamente em defesa dos interesses dos participantes”.
A associação encerrou a carta reafirmando sua “posição contrária à politização da gestão do Postalis”, argumentando que “o passado recente demonstrou de forma inequívoca os prejuízos decorrentes da interferência política no Instituto, que resultou em déficits bilionários”.
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