Muita especulação a respeito da venda dos Correios tem sido feita nas últimas semanas. Por um lado, o governo testa diversas linhas de ação, junto à opinião pública, jogando para a mídia informações inverídicas ou distorcidas. Nesse cenário, já anunciou por diversas vezes o nome de possíveis grupos interessados na compra da estatal. Recentemente, um deles, o Mercado Livre, chegou a negar publicamente que tenha interesse em adquirir os Correios. Os demais nunca afirmaram estarem realmente a fim de comprar a empresa pública.
Quem são alguns interessados na compra dos Correios, segundo o governo
Amazon
Valor de mercado: R$ 1 trilhão.
Perfil: começou como loja de livros, tornou-se online, cresceu de forma exponencial e atualmente vende de tudo, investindo pesadamente em recursos próprios de logística. Nos EUA, já fez inclusive testes de entregas de encomendas com drones. Atua em regiões estratégicas no Brasil. Recentemente, inaugurou centros de distribuição em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Santa Maria (DF) e em Nova Santa Rita (RS). Possui outros quatro centros de distribuição no País.
Prazo de entrega mais curto: 2 dias úteis (para clientes prime).
Mercado Livre
Está em expansão no Brasil, com a criação de centros de distribuição e investimentos da ordem de R$ 4 bilhões em recursos de logística, como a compra de aeronaves.
Prazo de entrega mais curto: 2 dias úteis (em 1.800 cidades do País).
Magazine Luiza
Receita em 2020: R$ 28,6 bilhões.
Participação do e-commerce na receita de vendas: 63,3% da receita total.
Possui 23 centros de distribuição e 1.200 lojas físicas espalhadas pelo País, que funcionam como mini centros, onde podem ser retiradas encomendas. Adquiriu no ano passado a Netshoes, uma das maiores lojas online de calçados e artigos esportivos, que já possuía infraestrutura de logística própria, fortalecendo a operação de distribuição do Magazine Luiza.
Outros players
Fedex, DHL, AliExpress
Todos eles têm grande capacidade econômica e certa participação no mercado nacional de encomendas. Não houve, por parte desses players, qualquer manifestação clara de que querem comprar ou não a estatal.
O governo federal tem afirmado que a venda dos Correios irá acontecer até dezembro de 2021. Esse cronograma vem sendo adiado frequentemente, desde meados deste ano. O processo de privatização não é simples, o que realmente pode explicar o ‘estouro’ dos prazos que o próprio governo estabelece para si mesmo.
De qualquer forma, é preciso lembrar que não depende somente da vontade do dono dos Correios se dispor da empresa pública. A autorização, como sabemos, passa pelo Congresso e não há também, até o presente momento, nenhuma indicação de apoio claro da maioria dos congressistas e da população quanto a uma possível privatização dos Correios.
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