‘Fake news’ sobre a privatização

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Antes mesmo de o governo federal atual começar a anunciar que venderia os Correios, o então candidato Bolsonaro já vinha afirmando que iria privatizar a Empresa. Começou então uma guerra de desinformação, intensificada com a transição para o novo governo. Muitos dos argumentos usados são falsos ou deturpados. Eles têm sido rebatidos nas entrevistas do vice-presidente da ADCAP, Marcos César Alves. A última delas foi à rádio 94FM, de Bauru, que fez uma série especial sobre o tema da privatização, depois de realizar pesquisa com os ouvintes sobre a venda dos Correios. A grande maioria deles (79%) mostrou que não quer a privatização dos Correios.

Confira abaixo algumas fakes sobre o assunto que circulam por aí e o que realmente acontece.

 

Fake 1 – Prejuízo acumulado dos Correios é de R$ 2,7 bilhões

“De 2000 a 2019, os Correios repassaram para o Tesouro Nacional R$ 8,5 bilhões e receberam R$ 0,2 bilhões. A Empresa, em 2017 e 2018, que já tem balanço, deu lucro: R$ 800 milhões. Qual é o filme dos Correios? Nos últimos 10 anos, os Correios deram meio bilhão de lucro. Nos últimos dois anos, deu R$ 800 milhões de lucro. Se você pegar os últimos cinco anos, aí são três anos que deu um prejuízo razoável e isso teve causas. Inclusive está apontado no relatório da CGU que analisou os resultados da Empresa de 2011 a 2016. Ele traz como principais razões para os prejuízos, nesse período, a retirada excessiva de dividendos; dois anos sem reajuste de tarifas (a preço de hoje, um prejuízo de quase R$ 2 bilhões); e uma mudança de contabilidade no lançamento dos balanços do chamado pós-emprego (despesas com pessoas que se aposentam), que as empresas tiveram que contabilizar de um dia para o outro, e o governo não fez nada para apoiar as estatais nesse sentido. Elas tiveram que fazer o lançamento nos anos de 2013 e 2014, com isso afundaram os seus balanços”, lembra o vice-presidente da ADCAP.

 

Fake 2 – A maioria da população brasileira aprova a venda dos Correios 

Pesquisa feita pelo Datafolha, em setembro do ano passado, mostrou que a maioria da população não quer a privatização de estatais – dois em cada três brasileiros. Na pesquisa feita pela 94FM, a resposta foi um grande “não” à privatização dos Correios. Nesse aspecto, Marcos César lembra que “a Empresa está muito bem. Quem fala mal da Empresa normalmente é o governo. É o governo quem levanta teses que nós contestamos, falando coisas com as quais a gente não concorda e com isso induz a população e a própria imprensa a acreditar que a Empresa está cheia de problemas. Isso não é verdade e a gente tem desmentido ponto a ponto para mostrar que a realidade é diferente do que algumas autoridades têm falado.”

 

Fake 3 – Serão demitidos 40 mil empregados

“Esse número é um chute de pessoas que não entendem nada de Correios, do que é operar a Empresa no País inteiro. A Empresa tem hoje perto de 100 mil empregados para cobrir o Brasil. Isso não é muito comparado com outros correios, pelo contrário, é um número que comparativamente dá uma produtividade bastante razoável para os Correios. O segundo ponto é que os empregos gerados pelos Correios vão muito além dos empregos diretos. Você tem toda uma cadeia de valor que trabalha junto com os Correios. Você tem os franqueados, que somando os empregados deve-se chegar perto de 10 mil. Você tem os fornecedores, transportadores contratados pelos Correios. O transporte interestadual, por exemplo, é praticamente todo terceirizado. Se for somando isso tudo, você chega rapidinho a 300 mil pessoas. Em um País que precisa reduzir a desigualdade, que precisa criar oportunidade de emprego, você pensar em mexer numa coisa que tem esse impacto, numa estrutura que está funcionando, que não depende do Tesouro, não usa recursos de impostos…”, contesta Marcos César.

 

Fake 4 – Os Correios vivem afundados em corrupção

Os Correios foram usados como “boi de piranha” em um momento quando os focos de corrupção eram bem maiores em outras estatais, de faturamento mais elevado. Como demonstrou a história, o setor privado também foi o grande responsável por inúmeros desvios. Todas as estatais passam por interferências políticas. O ideal é o corpo técnico de empregados participarem da gestão das empresas públicas. Marcos César indica esse caminho: “A Empresa só precisa de uma coisa: de uma gestão profissional em sua Direção. Para ela seguir em frente e crescer muito mais do que os Correios brasileiros são hoje.”

 

Fake 5 – Os Correios não são eficientes

“A empresa está muito bem. Em termos de qualidade operacional, no geral está acima de 98% e acima de 99% em encomendas. Esses são indicadores de excelência em qualquer país, em qualquer setor de logística. Qualquer empresa que atinge esse padrão de qualidade está no topo. Em termos de operação, temos uma situação bem estável. A Empresa funciona bem no País inteiro. Em algumas regiões você pode ter uma ou outra dificuldade, decorrente da situação do local, de segurança pública, por exemplo.”

Lembrando que, em auditoria publicada no dia 5/02 pelo TCU, realizada a pedido do Congresso Nacional, foram confirmados esses índices. “O relatório do TCU demonstra a alta qualidade do serviço postal brasileiro. Eles estabeleceram uma comparação com o correio americano e mostram que os nossos indicadores estão melhores”, completa o vice-presidente da ADCAP.

 

Fake 6 – O Postalis, fundo de previdência dos trabalhadores dos Correios tem rombo de R$ 11 bilhões

Como vem demonstrando o Ministério Público Federal, o governo federal colocou pessoas mal intencionadas na direção dos fundos de pensão. Por meio de instituições financeiras, consultorias e com quem deveria fiscalizá-los, eles se apropriaram das aposentadorias dos trabalhadores. Agora, sorrateiramente, o secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, Salim Mattar advoga a privatização dos Correios para supostamente “sanear” um problema criado pelo próprio governo federal.

 

“O Postalis, a Funcef, a Petros [fundos dos Correios, Caixa e Banco do Brasil] e outros fundos menores sofreram nos últimos anos muitas situações que provocaram déficit. O Postalis tem mesmo um déficit. Parte desse prejuízo já foi equacionado – os trabalhadores pagam a metade e a patrocinadora paga a outra metade. O que não faz sentido é o pessoal arrolar essa questão do fundo de previdência como uma das razões para privatizar a Empresa. Tem que resolver o problema do fundo de pensão, até porque o problema nesses fundos de pensão foi criado pelo próprio governo, que foi quem colocou lá os dirigentes”, afirma Marcos César.

 

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